Réquiem: Aqüífero Guarani

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“A semente deita ao solo num gemido de dor,

 fica a olhar o sol, a esperar a chuva e em meio

 à brisa suave da noite descansa naquele leito de morte.

As raízes aprofundam na terra podre esperando criar o caule,

esperando despertar o botão,

esperando abrir a flor e gerar os frutos,

esperando criar semente, voltar à terra podre carregada

nos braços do vento e, lá em meio ao desequilíbrio ambiental,

apodrecer junto com todas as formas de vida daquele local.

Chora humano!, chora!,

porque as lágrimas que

vertem dos teus olhos 

será num futuro próximo,

a única água que te restou!!!

 

Autor: Aloizio Olaia,

ativista ambiental, escritor, filósofo desconhecido.

 

Nota do autor:

Maio de 2004, doente, cansado, desanimado, então aparece no front do guerreiro ambiental

um Amigo de infância para de carro (tenho dificuldade para caminhar), levar-me, ao tradicional bordejo pelo bairro que, (era um parque ecológico e, não é mais, graças ao decreto municipal assinado pelo agora, Ministro Palocci - PT).

 

Chegamos a área de recarga do Aqüífero Guarani e, com muita dificuldade, sentei-me debaixo de uma frondosa sangra-d´água que, plantei em 1998 e, logo fui rodeado pelos micos e beija flores e, o meu Amigo, foi caminhando pelo local e, com a ajuda de um rádio, transmitia a visão de morte e degradação da área que, com muita dificuldade, havíamos reurbanizado em 1998.

Então, chorei junto com os micos famintos e,  em meio as lagrimas, escrevi este réquiem  no meu caderno de notas.

 

Como um dos micos (meu velho Amigo Samuel que, é o alfa da micaiada), insistia em lamber minhas lagrimas, logo percebi que ele estava com sede, acionei o rádio e perguntei ao meu Amigo como estava a situação da água do riacho e, a resposta foi: "puro esgoto!".

 

Então, com a ajuda de moradores improvisamos um bebedouro com água limpa  vinda através de mangueira de  uma residência próxima do local e, quando a água verteu no interior de uma bacia,  senti pela primeira vez que, a sede, é muito pior que a fome.

Tive que intervir várias vezes no meio da micaiada e outros animais, para não sair briga,  por que a água era disputada no tapa, dentes e bicadas dos pássaros.

 

Já vi muita coisa triste, mas esta visão superou tudo.

Pelo rádio, solicitei ao meu Amigo, que telefonasse para o biólogo e solicitasse sua vinda com urgência no local.

Duas horas depois, chega o Dr. Paulo Melo (Eng. Florestal), Dr. Antonio (Eng. Agrônomo) e,

Dr. Sérgio, biólogo que monitora a fauna do local.

Mais duas horas e, tenho o laudo nas minhas mãos, curto e grosso:

"A floresta está morrendo e junto com ela a biodiversidade da área.

Existem animais mortos, a terra está podre, a água poluída, a situação é pior que 1998 e,

está acionado o alerta vermelho na área que, a partir de agora, está sob judice".

 

Chora humano!, chora!,

porque as lágrimas que vertem dos teus olhos 

será num futuro próximo,

a única água que te restou!!!

Meio Ambiente e Educação Ambiental,

no Brasil é, uma mentira utilizada

para autopromoção dos abutres palacianos

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SaraMonalisa

 

NOTA:

Recebi por e-mail, repassado duma amiga brasileira.............. E CHOREI..........

pelos n/filhos e pelos infelizes animais que eles não chegarão a ver!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

Laura – 17/07/2004

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publicado por LauraBM às 22:19